segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A igreja eletrônica no RS.

Pioneira em rádio popular no Rio Grande do Sul, a Itaí AM passa, em 1983, a ser controlada pelos evangélicos da Igreja Deus é Amor, do pastor David Miranda, inaugurando um novo momento no rádio de Porto Alegre: o das emissoras totalmente dedicadas a uma pretensa evangelização, em que só há lugar para uma fé específica.Por Luiz Artur Ferraretto
No ano seguinte, um extenso e preciso levantamento do repórter Nilson Mariano registra, no jornal Zero Hora, o que ocorre com a estação, líder de audiência em décadas anteriores graças a uma programação de intenso apelo popular:
“Os negócios da Igreja Pentecostal Deus é Amor nunca prosperaram tanto. Pelo microfone da Rádio Itaí, os pastores pentecostais arrebanharam milhares de fiéis desempregados, doentes, curas milagrosas, sorte grande, harmonia familiar e felicidade sem fim. Tudo em nome de Deus, mas por muito dinheiro. No final do ano, porém, as autoridades resolveram agir. A Secretaria da Saúde e do Meio Ambiente autuou a direção da Rádio Itaí, por crime de curandeirismo e charlatanismo, aplicando uma multa diária de Cr$ 8 milhões, a contar de 30 de novembro. E a Procuradoria Geral da Justiça encaminha pedido de fechamento da rádio e processo criminal contra os pastores”
O amplo trabalho de jornalismo investigativo desenvolvido na época comprova, inclusive, que algumas pessoas eram contratadas a fim de simular possessões demoníacas, uma forma de sensibilizar para uma espécie de comercialização da fé:
“‘Quem pode dar Cr$ 10 mil, em nome de Deus, para ajudar a pagar a Rádio Itaí?’ - diziam os pastores, nas três sessões diárias organizadas na sede estadual da seita, na avenida Mauá [centro de Porto Alegre]. ‘Quem é inimigo do Satanás e vai ajudar a nossa igreja?’ - condicionavam os seguidores de David Miranda, saqueando centenas de fiéis. Numa sessão, que dura quase quatro horas, os pastores arrecadam perto de Cr$ 600 mil. Distribuem cadernetas da Bênção da Vitória, para pagamento de mensalidade, os envelopes da Campanha da Fé, e pedem mais doações”.
Nas décadas seguintes, em emissoras arrendadas ou sob seu controle total, as mais diversas denominações pentecostais utilizam o rádio como instrumento de pregação. Em geral, quando a emissora foge desse messianismo hertziano, pertence a religiões tradicionais. A Igreja Católica, por exemplo, possui emissoras que, fora um ou outro espaço, apresentam programas idênticos aos das demais estações comerciais. É o caso dos capuchinhos no Rio Grande do Sul com suas rádios dedicadas ao jornalismo e à música presentes em várias cidades do interior gaúcho. Fato semelhante ocorre com a 107.1 FM Pop Rock, ligada à Universidade Luterana do Brasil e que, de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, lidera uma rede de emissoras voltada à música jovem.
Antes de mais nada, portanto, é necessário diferenciar as diversas correntes religiosas que operam emissoras de rádio. A igreja eletrônica, como se conhece hoje, surge, de fato, com os pentecostais, grupo do qual faz parte a Igreja Deus é Amor e tem na Igreja Universal do Reino de Deus seu principal expoente. Esta última, além das redes de televisão Record, Família e Mulher, opera a Aleluia, uma cadeia de estações de rádio que, em Porto Alegre, está nos 100,5 MHz da faixa de freqüência modulada. Pregam a possibilidade de milagres na luta contra doenças, identificando os males do corpo e os problemas cotidianos com manifestações demoníacas. Pelo lado da própria Igreja Católica, como reação aos pentecostais, o Movimento de Renovação Carismática passa também a levar rezas e mais rezas para o microfone. Em Porto Alegre, está presente na Rádio Aliança FM.
Nos anos 90, o crescimento do poder político dos pentecostais atenua denúncias como as da série de reportagens de Nilson Mariano. As curas, exorcismos e doações tornam-se, com o suporte de bancadas no Poder Legislativo, práticas comuns nas transmissões diárias em dezenas de cidades brasileiras. Algumas emissoras chegam ao ponto de divulgar conversões em que novos fiéis atacam cultos afro-brasileiros como a umbanda. Tudo em nome de uma suposta guerra eterna entre Deus e o demônio, fazendo com que, neste início de século 21, o conjunto de igrejas eletrônicas configure um cenário à parte daquele previsto pela legislação e dividido em emissoras comerciais, educativas e comunitárias. Na realidade, cabe questionar:
– Uma vez que a outorga de uma emissora é um instrumento público exercido pelo Estado em nome da sociedade, toda esta pregação é lícita e democrática ao excluir qualquer contraditório?
No artigo 53 do Código Brasileiro de Telecomunicações, a resposta parece clara. É proibida a promoção de campanhas discriminatórias a qualquer religião.

extraido de www.carosouvintes.com.br

Um comentário:

pirata do sul disse...

AS DUAS RADIOS ITAI E ULBRA TV RADIO DA CEITA DO DIABO FATURAO UM DINHERAO MENTE PARA O POVO LIGITIMAS RADIOS PIRATAS NO AR NUMCA VI O EDITAL DESTAS RADIOS TEM ATE ITAI NO FM E AM

Loading...

Pesquisar este blog

Carregando...

Seguidores

Arquivo do blog